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21/04/2004 06:58
A tese do por enquanto



Meus dias são de vacilo. Eles acreditaram no amor sem fim. Esse é o meu lado sujo que nasceu dessa coisa. Esse amor não deu frutos e apodreceu antes da hora. Não quero fantasiar nada, se sonhar significa acordar caído da cama com aquela sensação de enxaqueca. Estou tonto, mas não sou tonto. Esse papo de pra sempre não me pega mais. Quem é que vai me garantir que tudo vai ser pra sempre? O Cheguevara que sobrevivia aqui nessa história está fraco e abatido. Não está conseguindo lutar pela tese que sempre defendeu com unhas e dentes. Joga isso fora, ele já foi rejeitado. O amor em vão é aquele que não merece esforços e nem tentativas pautadas no talvez ou quem sabe da próxima vez. Uma tremenda palhaçada. Sexo descartável e finito, carne consumada em arrebatamentos íntimos. Vai, não pára. Se parar não chego. Eu te amo! Esse suor é seu, não tenho mais fôlego para dizer o quanto fui submisso ao seu poder. Amor, você poderia ser a única, mas abriu mão do esforço e o mundo a levou. Esse amor apaixonado é só uma fase. Ele confundiu os fracos e de ironia tirou-me a visão. Mas estou de volta a enxergar o que antes cansavam de me falar. Não conseguia acreditar que ninguém era de ninguém, ou que seria bom enquanto durasse. Eu queria ficar velho de amor. Talvez eu me iluda novamente. Vou parar de ficar ostentando essa bandeira.O gosto amargo que ficou em mim tempera essa ânsia, uma vez que o por enquanto é a medida exata de quanto dura o prazer. E se a ilusão nos faz feliz, vamos vivê-la no próximo encontro então.


11/03/04- quinta.
A tese do por enquanto
eliblog@ig.com.br
enviada por Elisandro Borges






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