|
19/05/2004 15:16
Endorfina de cara nova!!! Mudei de endereço! As divagações continuam, só que agora com novo layout, dicas de sites, blogs, música, video, e mais, cada vez mais! Tá esperando o quê???
O endereço agora é esse abaixo. Foi bom enquanto durou aqui. Um abraço!
>>>>>> www.endorfina8.blogspot.com <<<<<<
enviada por Elisandro Borges
17/05/2004 14:41
Ouça em alto e bom som: Fuel - Falls on me
enviada por Elisandro Borges
17/05/2004 14:40
Sem juízo
Você desaparece assim desse jeito, tento te encontrar, mas nenhuma resposta.
Realmente estou conseguindo ficar confuso. É... Agora eu é quem estou confuso.
Estou sentindo muito a sua falta. Não sou essa pessoa que você pensa.
Não brinco com sentimentos e dificilmente me deixo envolver.
Escolhi o caminho menos doloroso. Escolhi não amar.
Porém meu coração não tem juízo e precisa aprender alguns modos.
Ele adquiriu essa mania contraditória de tolerar a dor. Quer te encontrar.
Não se preocupe comigo. Escolhi não amar.
Porém meu coração continua sem juízo.
Modos. Você me tem em seus modos...
Sem juízo
eliblog@ig.com.br
enviada por Elisandro Borges
16/05/2004 14:31
Ouça em alto e bom som, e recarregue os ânimos, por mais rastejante que seje qualquer segunda-feira:
Jet - Are you gonna be my girl
enviada por Elisandro Borges
16/05/2004 14:20
Seqüestraram o Nesquick!!!
Quem robou meu Nesquick?!! Isso é um seqüestro psicológico muito grave! Não acredito que fuçaram em meu armário e tiraram ele de lá. O sacripanta que cometeu esse delito vai ter que aparecer por bem ou por mal! Só pode ser chantagem emocional, não tem cabimento. Será que não paguei o aluguel? Tá vendo o que dá morar de aluguel? Pessoas companheiras, conselho de amigo, trabalhem muito, o mais árduo possível, e quando puderem, não hesitem em comprar o próprio espaço, pelo menos não vão correr o mesmo risco que eu.
Para quem não conhece, os íntimos sabiamente me chamam de Zé do pão. Não vivo sem pão, mas sem Nesquick a vida é irrefutavelmente insípida. Simplesmente não dá pra ficar sem aquele gostinho de chocolate com leite que deleita na alma. É sério, bebo aquilo com a alma. Por sorte, terminei encontrando o cativeiro. Lá estava ele, escondido em condições completamente precárias. Não faço idéia, mas com uma proficiência de embasbacar qualquer perito em seqüestro, resgatei sagazmente minha felicidade confinada por alguns intermináveis segundos. Três colheres e um copo cheio de leite. Saudade que se mata em goles cavalares...
Seqüestraram o Nesquick!!!
eliblog@ig.com.br
enviada por Elisandro Borges
15/05/2004 14:53
Ouça em alto e bom som, o coração pode bater forte:
Pearl Jam - Yellow Led Better
enviada por Elisandro Borges
15/05/2004 14:50
Ao menos um abraço
Eu digo que você é confusa e não entendo o que me faz sentir esse amor que não posso tocar. Linda e confusa. Ainda não sei exatamente quem você é, mas sei do que estou falando. Sei que estou amando. Efeito de um surto imaginário, apareceu para os meus dias de dor e assim me cura com suas palavras necessariamente inacreditáveis. Confusa só para confundir mesmo. No fundo existe um amor pulsante. Você tenta me assustar, mas é pouco convincente na arte de fingir. Não preciso sentir sua pele na minha, não preciso beijar essa boca para saber que o gosto é delicioso, não preciso te encontrar agora. Se você um dia casar com outra pessoa, me deve ao menos um abraço. Que seja ao menos um abraço então...
Ao menos um abraço
eliblog@ig.com.br
enviada por Elisandro Borges
14/05/2004 14:03
Ouça em alto e bom som, com o ouvido colado no alto-falante:
Dave Matthews Band - Gravedigger
enviada por Elisandro Borges
14/05/2004 13:57
Cinco minutos de tolerância
Podem me chamar de displicente, podem me chamar de preguiçoso, mas não abro mão dos meus cinco minutos de tolerância. O seu Edson que me perdoe, mas não consigo chegar pontualmente no trabalho. Pai, sei que você sempre se empenhou em me ajudar nesse ponto, mas algo me impede de ser assim. Esse nariz que não pára de escorrer sempre acaba me tomando os cinco minutos finais. Vamos lá, quando não estou gripado, outras desculpas aparecem do nada e me desligam da responsabilidade. Não consigo ver o tempo passar, e quando vejo, já foi. Principalmente quando estou em casa cuidando de minhas coisas.
Tudo que sei fazer aqui, é dormir em horários totalmente anormais. Pra se ter uma idéia, troquei literalmente a noite pelo dia. Chego em casa, mais ou menos às 5:00am. Entro no computador e só saio lá pelas 11:00am. Começo a dormir e o sol causticante lá fora me avisa que não sou mais uma pessoa comum entre os seres da minha espécie. Daí então, começo a dormir e acordo lá pelas 4:00pm. Volto ao ciclo vicioso da Internet, depois tomo um banho rápido, preparo alguma coisa pra comer e vou para o trabalho às 6:00pm. E assim seguem os meus dias previsíveis.
Nunca fui tão estranho aos meus próprios olhos. Essa vida bizarra me deixa completamente pasmo com a redoma que tenho criado em minha volta. Tá certo que estou vivendo em outro país, sozinho, longe de todos e talvez aí more um motivo bem sensato pra toda essa aberração. Seremos simplistas. Não existe segredo coisa nenhuma. O que acontece é que trabalho a noite inteira, resultado: não me sobra outra hora para dormir. Imagine como fica a cabeça desse alienígena? Vejo as pessoas como se elas não fossem reais. Só consigo enxergá-las em dollar (trocadilho imbecil, mas interessante).
Perdi a noção do que é um ser humano. Não sei mais o que é beijar na boca. Trabalhar de segunda a segunda não tem favorecido minha volta ao planeta dos humanóides. A verdade é que mesmo reservando uns dias de folga, não acredito que teria vontade de fazer contato com a civilização nativa. E eu achava que era um cara cosmopolita, versátil e sem maiores problemas com esse tipo de adaptação. Tá aí, é vivendo que a gente se engana. Achei que falar o idioma local me tornaria ao menos familiar para eles. Não me sinto nem um pouco assim. Me sinto um peixe fora d´água. E por falar em peixe, acabei de pular do aquário mais uma vez, tá vendo? O tempo passou voando e agora vou ter que fazer uso do meu velho, teimoso e inevitável... Cinco minutos de tolerância.
Cinco minutos de tolerância
eliblog@ig.com.br
enviada por Elisandro Borges
13/05/2004 14:53
Ouça escondido e bem baixinho: Sergio Malandro - Um capeta em forma de guri
enviada por Elisandro Borges
13/05/2004 14:51
A qualquer custo
Ah, ha, ha
Grandes coisas escrever essas patifarias. Eu não tô nem aí, eu não tô nem aqui. Sei lá. Mané pelada. Jóia rara. Podre essa, hein? Vc algum dia já tentou falar um monte de besteira, sem sentido nenhum, pior do que essas coisas que escrevo de vez em quando? Tenta e verá o tanto que é bom. Solte a merreca dessa imaginação. É Isso que dá, sofrer de prisão de imaginação. A gente escreve qualquer coisa mesmo e acredita que tudo é uma terapia perfeita. Eu estou morrendo de sono, mas continuo com a mesma compulsão de escrever a qualquer custo. Já comi trezentos e trinta e dois pães, enchi a cara de milk shake, sem mencionar a gripe pestilenta que assola essa cara de cavalo. É... A cara mesmo. Minha mãe já dizia que quem tem cara é cavalo. Pra mim isso é um elogio. Já pensou, me chamarem de cavalo?!! É de estufar o peito, não é? Ô cavalo! Vai, grita: Ô seu cavalo!!! Pai dégua!!! Bom, já é hora de dormir. Esse negócio de escrever na net não dá camisa pra ninguém. E também não sei o que vc está fazendo lendo esse texto ridículo. Vai deitar, vai! Esse foi só pra... Só pra falar que falei de mais alguma idiotice sem importância. Chega. O sol tá forte demais, eu vou dormir. Boa noite, bom dia, qualquer coisa, a qualquer custo.
A qualquer custo
eliblog@ig.com.br
enviada por Elisandro Borges
13/05/2004 10:46
Ouça em alto e bom som: Limp Bizkit - Behind Blue Eyes
enviada por Elisandro Borges
13/05/2004 10:45
Mais um engano
O que permanece entre nós não é amizade. O que fica por aqui é parecido com amor, qualquer coisa sem compromisso. Sobrou essa vontade de terminar o que mal começamos. Ela não era muito de falar, acho que talvez nunca foi. Mas só o fato de ficar olhando pra mim com aquela carinha de admiração, já era mais do que o bastante pra preencher a necessidade quase que mendigante de ter uma pessoa real logo ali em minha frente. Expectadora de minhas divagações, a minha platéia mais fiel, que sempre aplaudia no final. Ela me entendia com um simples e bom sorriso. Um olho puxado como de quem franzi o rosto, mas que na verdade tinha suas devidas origens. Hoje, nesse exato segundo, ela tem o seu próprio lugar e um mundo totalmente à parte. Tem suas crenças e os motivos particulares que a movem como mulher.
Não sei bem ao certo quanto ao seu lado emocional, prefiro não saber e assim manter a amizade amistosa que tentamos nutrir. Não a vejo mais fisicamente, sua imagem, só por foto. Muda, tudo muda. Desde a primeira vez em que tive a intenção de me apaixonar por completo, jamais cheguei perto de imaginar que eu teria que viver aquela luta, depois de acreditar ter encontrado definitivamente o caminho. A distância foi muito cruel e acabou com a nossa fantasia. É, simplesmente fantasiamos uma vida a dois que não poderia ser vivida. Uma vida sem beijos e abraços. As cartas que chegavam já não tinham mais a mesma intensidade. O celular já não funcionava como antes. A impressão não era mais a mesma. Não havia a empolgação no eu te amo, enquanto esse soava fraco e se a cor pudesse ser vista, tenho certeza que enxergaria tudo cinza. Tentei trazer as cores de volta, mas sozinho foi trabalho muito árduo que não pude manter.
Grande e imperdoável era a dor que me fazia tentar aceitar algo que eu não estava preparado para ingerir. Algo quase impossível de extrair do meu peito. Já era parte do meu corpo aquele sentimento, que por sua vez já não estava sendo correspondido. Ela não tem culpa. Eu muito menos. Apesar dos rumos trocados, minha intuição dizia que tinha tudo pra dar certo. Eu tinha toda a segurança do mundo. Bom, segurança é realmente uma ironia. Quebrei a cara mais uma vez. Quebrei a cara tentando amar. Dizem que essa desilusão passa logo, mas já são nove meses ao todo. Tempo suficiente para gerar uma vida. Tempo para eu descobrir que posso gerar minha própria vida de novo, de um ponto de vista diferente. De uma forma que possa me fazer aceitar o preço que paguei, o investimento equivocado. Mais uma vez, me enganei. Eu me enganei.
Mais um engano
eliblog@ig.com.br
enviada por Elisandro Borges
12/05/2004 08:33
Ouça em alto e bom som: Faith No More - Evidence
enviada por Elisandro Borges
12/05/2004 08:32
Poder
Impublicável foi e tem sido. Sem essa de que vou censurar os meus instintos. Colocá-los no papel não vai ferir ninguém e eles não deveriam afetar aquela mania de pudor a cada capricho sobre medida. Tem tempo que não digo o que penso. Contenho a opinião e o silêncio guarda o impulso. É proibido pensar alto, suas idéias estão chegando a ouvidos estranhos e elas incomodam a ponto de interferir no ar em que respiram.
Verdades absolutas não deixam espaço para qualquer tentativa de contra-argumento. Silêncio mais uma vez. Uma voz se cala. O excesso de poder o faz menos humano e turva suas decisões antes consideradas democráticas. Poder. Ao que te pertence, sinta essa força, mas não passe por cima de ninguém. Detalhe, a vida costuma passear por entre a gente e pessoas se encontram lá na frente. Paciência com os que não entendem a sua língua. Não maltrate e nem seja rude. Não quebre aquele prato, talvez precisará usar o mesmo em horas de pouca abundância.
Poder
eliblog@ig.com.br
enviada por Elisandro Borges
10/05/2004 16:13
Ouça em alto e bom som: A Perfect Circle - The Outsider
enviada por Elisandro Borges
10/05/2004 16:10
É assim...
Aprendi que basicamente supomos muitas coisas e assim tentamos acreditar em nossas suposições. Aprendi que é preciso podar um pensamento negativo, pois ele prolifera-se em proporções imensuráveis. Aprendi que quando a gente corta, sangra... E que algumas pessoas são diferentes, outras indiferentes. Aprendi que se a gente não se cuidar, dificilmente o mundo vai se mover voluntariamente em nossos passos. Aprendi que se descobre verdadeiros amigos e que essa é uma questão de intuição e ponderação de julgamentos. Aprendi que em certas horas é necessário ter a memória curta, pois assim fica mais fácil perdoar.
Continuo aprendendo que minha estupidez é motivo de reflexão e que dessa forma eu posso entender melhor a estupidez dos outros. Aprendi que as almas nem sempre se topam, que nem todos vão com a sua cara, mas que existe um jeito para quase tudo. Sei que não basta dizer o que se pensa, e que é oportuno pensar antes no que dizer para não ter que digerir conseqüências intragáveis. Sei que muitas de nossas palavras não são verdadeiramente nossas, ainda assim, quando fazemos dessas uma atitude, encontramos um estilo de viver que se torna particularidade, embora a mesma confunde-se em semelhanças alheias.
Sei que não quero parar, mas de vez em quando é preciso sim, olhar para trás e tentar entender o que está acontecendo agora. Não consigo predizer o futuro e tenho falhado em muitas de minhas hipóteses, por isso é apropriado construir uma base mais sólida em nossa volta, base essa que seja capaz de suportar eventuais turbulências.
É engraçado, mas não adianta. Não adianta fechar as portas, de um jeito ou de outro, por mais fechadas que essas estejam, a poeira sempre acaba entrando e a única alternativa é continuar limpando essa sujeira. Esse não é o caso, o problema é deixá-la acumular na cabecinha enclausurada. Aprendi também que as palavras rebuscadas não surtem efeito quando colocadas ao esmo. Aprendi que a simplicidade é o melhor anti-sensacionalismo para os nossos medos arraigados. Pra quê complicar as coisas e colocar dificuldade em tudo? É assim. Complicado demais para entender que focinho de porco nunca foi tomada...
É assim...
eliblog@ig.com.br
enviada por Elisandro Borges
08/05/2004 14:27
Ouça em alto e bom som: Incubus - The Warmth
enviada por Elisandro Borges
08/05/2004 14:24
Recado 1:
Por mais que eu tente ser um homem humilde, um filho melhor, um amigo melhor, a vida sempre aparece no caminho e expõe as falhas que deixei para trás. Espero que se um dia eu deixar uma dessas falhas pelo caminho, que a vida apareça de novo em minha frente e me acorde em quanto há tempo. Compreensão nas horas de intolerância, paciência nas horas de ansiedade e força nas horas difíceis.
Recado 1
eliblog@ig.com.br
enviada por Elisandro Borges
06/05/2004 13:03
Ouça em alto e bom som: Live - Run Away
enviada por Elisandro Borges
06/05/2004 12:32
Que atirem os primeiros ovos
Por mais remota que seja a possibilidade de encontrar uma explicação para o comportamento humano, volto a questionar essa necessidade quase que compulsiva de achar uma forma de expressar o que sinto. Às vezes falta assunto, mas a vontade de escrever não pára. Esse vulcão em plena erupção sem chamas me faz agonizar com tanta falta de inspiração. Preciso de conteúdo. Leio, leio e continuo lendo. Porém, ao fazer um balanço de tudo que tenho absorvido até o presente momento, percebo que tenho procurado as mesmas coisas de sempre. As fontes de tudo que aprendo continuam as mesmas. Não houve inovação. Aliás, tal palavra me soa um tanto quanto deslocada. Maçante isso, viu! Não vejo sentido nenhum em mascar o mesmo chiclete até perder o gosto e continuar esmagando aquela borracha interminável dentro da boca. É mais ou menos assim que funciona nossa mente preguiçosa, na hora de pensar, todo mundo quer dormir ou ir para o primeiro boteco pra falar bestera e rir da doidera(só pra rimar).
Nossa, como eu gostaria de ter o mínimo de interesse por política. O problema é que acho essas coisas um tédio completo acompanhado de bônus. Sei que precisamos estar informados sobre o que está acontecendo à nossa volta, mas simplesmente não dá pra ler um parágrafo sequer sobre qualquer assunto relacionado à POLÍTICA. Às vezes me arrisco a dar uma espiada meio às escuras nos sites afins, mas imediatamente perco o tesão. É por isso que as pessoas se juntam aos semelhantes. Tem coisa mais desconfortante do que estar na casa de alguém e de repente um estranho te abordar com a seguinte pergunta: E aí, o quê você está achando da nossa política?. Indubitavelmente, um buraco negro emanaria das profundezas do meu ser, caso algum cidadão manifestasse tamanha impertinência. Lembro-me daquele tipo de aniversário, daquele do amigo do primo de um conhecido da irmã de uma vizinha da avó do Antônio, que do nada resolve te convidar. E o pior é que, sem nada melhor pra fazer, você acaba arriscando a pele. Dá no que dá. Aquele tanto de gente estranha te faz sentir um astronauta pisando em terras inóspitas.
Podem me falar o que quiserem, mas minha opinião desinformada e boiante não faz questão de pegar as trouxas e se mudar daqui. Mas que política é um saco, não vacilo em dizer, é um porre!!! Simplesmente broxxxante. Eu achava que isso ia passar com a idade, mas já se foram dez anos desde que tive a primeira brilhante dedução. Ouvi falar também que isso tudo vai sarar quando eu casar. Façam as apostas então. Estarei torcendo por vocês, ou melhor, por minha risível compreensão da política que assola esse país. Não é possível que eu não sirva nem pra jogar ovo em político. Desprezível a indiferença do rapaz, desprezível!
Que atirem os primeiros ovos
eliblog@ig.com.br
enviada por Elisandro Borges
05/05/2004 12:57
Ouça em alto e bom som: Sevendust - Live again
enviada por Elisandro Borges
05/05/2004 12:50
Epiderme
Longe, muito longe do que eu poderia tocar e perceber o que era real. Acordei, mas fechei os olhos o mais rápido possível para tentar buscar aquele sonho interrompido. Já era, se apagou. Nada, absolutamente nada era capaz de trazer mais uma vez a sensação insubstituível.
Enquanto a voz macia me engolia por inteiro, eu me rendia sem saber o que estava acontecendo. Não existia cenário, não existia ninguém à nossa volta, e tudo o que se ouvia era a respiração ofegante em uníssono.
Epiderme... Éramos uma pele só.
Sua boca úmida e faminta deslizava sobre minha carne trêmula e pulsante. Um gosto de tequila e limão entorpecia o beijo em temperaturas incontroláveis. Irremediavelmente viciante. Não tive tempo de perguntar o nome dela. O seu rosto desapareceu no momento em que o sol transpassou a alcova de vidro. É, eu dormia em uma alcova de vidro quando tudo ficou claro contra minha vontade. Esse aposento foi o único cúmplice e suposto responsável por todo o meu desespero. Ele deixou o sol entrar.
E como sempre, amanheceu, simplesmente amanheceu...
Epiderme
eliblog@ig.com.br
enviada por Elisandro Borges
05/05/2004 01:16
Ouça em alto e bom som: Enigma - Why
enviada por Elisandro Borges
05/05/2004 01:02
Como muitos já devem saber, "mendigas do amor" é a tentativa de uma seqüência de contos bregas baseados em fatos vividos por umas amigas que tanto amo. A personagem abaixo é o estereótipo imaginário chupado de Angela Ribeiro Neves. Aí vai um minúsculo trecho dele:
Mendigas do amor em: Angela Guadalupe de La Sierra Catita
Angela Guadalupe de Lá Sierra Catita era uma menina serrana, com trejeitos inspirados em novelas forçosamente exibidas do México. Cresceu assistindo novelas como carrossel e se comovendo em soluços molhados quando via o Sirilo sofrer por amor. Ela se via naquela situação às avessas e ficava difícil conter as lágrimas que escorriam pelo rosto e secavam sem tocar o chão (algo me lembra Frejá). Na sua infância, era motivo de chacota no pátio da escola por colocar aquelas duas marias-chiquinhas e seus óculos pesados de lentes monstruosas, que a forçavam a andar cabisbaixa, acentuando ainda mais sua feição triste e deplorável. Adorava exibir sua lancheira do Chaves com aquele cheirinho de plástico novo. Era de dar dó ver aquela menina franzina tentando fazer amizade com as outras coleguinhas. Ninguém queria ficar perto da pobrezinha, porque diziam que dava azar. Seu único amigo na verdade era aquele cachorro coxo e manco do seu Dilomar, que sua mãe agraciou com uma bicuda na fuça depois de pegá-lo rasgando o lixo do quintal.
Esse preconceito descabido que enfrentou lhe afetara muito a auto-estima. Suas canelinhas finas e sem cor tremulavam a cada vento casual. Você conhece a garota de Ipanema? Então, só que ela era conhecida como a garota de parede. Como assim?! Eu explico. Catita adotou o hábito de andar sempre próxima a uma parede ou a qualquer coisa que pudesse se apoiar para não ter a desagradável surpresa de ser levada pela força da natureza, que por sua vez, soprava ironica e delicadamente em sua direção o que já era o suficiente para desequilibrá-la. Tá rindo de quê? De certo você está rindo porque não viveu drama semelhante. Não adianta falar que já passou por coisa pior, pois nada se compara aos transtornos guadalupianos. Pensa que os pais dela acham graça da situação? Só para se ter uma idéia, sua mãe, a dona Marilu, dá tréla toda vez que se lembra daquela época. Uma vez, teve que ser levada direto ao hospital, pois não conseguia parar de rir e acabou arrumando uma caimbra na barriga, que por sua vez afetou o intestino e resultou em sérias prisões de ventre. Hoje em dia, Dona Marilu prefere não comentar o ocorrido.
Continua, quem sabe...
Angela Guadalupe de La Sierra Catita
eliblog@ig.com.br
enviada por Elisandro Borges
03/05/2004 14:45
Ouça em alto e bom som: Marisa Monte - A Sua
enviada por Elisandro Borges
03/05/2004 14:43
O simples fato de ser
Ela não está em todos os lugares. Quase todos eles estão nela.
Ela não move um passo sequer até que um sopro de consciência lhe faça sentir a fome ególatra que suplica por saciedade. Essa fome deseja ser sufocada e não mais sentida. Ela pede para desvincular-se das amarras que a limitam.
Os bardos até que tentam agradá-la com palavras rebuscadas, mas em vão, apenas alimentam sua ingênua e contraditória auto-suficiência. Ela se debate contra seu próprio eu, busca alívio e soluça em lágrimas amargas. Já não assina mais o nome em seus versos. Não há mais a necessidade gritante de vitória ou o medo da derrota, há somente a simplicidade.
Há somente ela... Seja ela então, o que enternece o simples fato de ser.
O simples fato de ser
eliblog@ig.com.br
enviada por Elisandro Borges
03/05/2004 11:16
Ouça em alto e bom som: Audioslave - I´m the highway
enviada por Elisandro Borges
03/05/2004 10:58
Direitos toscos
Tenho nojo de violência. As raras vezes que decido abrir o jornal com o intuito de encontrar algo produtivo em qualquer que seja o sentido, tenho o desprazer de me deparar com derramentos de sangue estampados logo na primeira página. Tem horas que fico querendo criar o meu próprio mundo e fingir que nada disso está acontecendo. Esse tipo de notícia deveria ser proibido para menores de cento e vinte anos. Tudo bem, morram todos então, mas que morram bem longe de mim, pois não quero sujar a roupa de sangue. Eu não quero saber quem foi o estúpido que deu o primeiro tiro, chega de tragédia! Tenho me tornado cada vez menos humano, e dessa vez não me comovo mais com bandido morto. E outra, acho ridículo cuidados especiais para bastardos com formação superior. Então quer dizer que se ostento um canudo universitário e mato qualquer fulano por aí, tenho mais direitos humanos do que um psicopata analfabeto? Pra mim essa corja é tudo farinha do mesmo saco!!!
Direitos toscos
eliblog@ig.com.br
enviada por Elisandro Borges
02/05/2004 12:47
Ouça em alto e bom som: Stabbing Westward - Sometimes it hurts
enviada por Elisandro Borges
02/05/2004 12:30
O roteiro de uma força maior
E dá-lhe porrada! Chega um certo momento que não dá pra apanhar mais. Eu já falei isso antes e continuo repetindo a mesma versão. Continuo gaguejando no mesmo ponto, rindo das mesmas coisas e chorando com os mesmos apertos.
Por quê as coisas têm que ser tão inconstantes assim? Hoje, planejo abraçar o mundo, só que amanhã ele acaba ganhando outro significado e percebo que não era exatamente o que eu estava imaginando. Acho que não é bom criar expectativas demais sobre as coisas. O negócio é ir tocando o barco pra frente e não esquecer de vestir o salva-vidas.
Dá vontade de deixar esse mundo acontecer por si só, sem a interferência de ninguém, mas é simplesmente fora de cogitação qualquer hipótese desse tipo. Pra ser bem sincero, acredito que nada do que vivemos é de fato real. Uma hora esse lapso de existência passa e veremos a cada minuto que se foi, a dimensão do espaço de tempo que por determinada circunstância foi ou não aproveitada. Quantas pessoas já conheci, quantas já deixei pra trás. Tudo foi passando, e assim continua passando. Eu passarei, meus pais passarão e talvez seja pedir demais para que eu passe ao lado deles. Não gosto de pensar que criamos nossos filhos para o mundo e que um dia eles irão nos deixar. Não me agrada o pensamento de que meus amores não são realmente meus e que a qualquer momento eu não terei a propriedade que sequer um dia foi minha.
Não sei se estou distorcendo o sentido das coisas, mas carrego a leve impressão de que somos uma seleta coleção de Deus. Assim como nós, Ele tem Suas preferências, mas o livre-arbítrio não deixa de ser uma farsa. O livre-arbítrio nunca teve sua própria liberdade e sempre foi submisso aos Seus princípios. Princípios de Deus. Ele tem pleno controle sobre nós e depois me dizem que nós é quem temos controle sobre nossa vida. Grande mentira. Você sabe quantos dias vai viver? Nem o seu próprio nariz lhe pertence, nada lhe pertence. O roteiro que você criou, não depende da sua assinatura. Amanhã Ele vai revisar o seu currículo, e a palavra final sempre será Dele.
O roteiro de uma força maior
eliblog@ig.com.br
enviada por Elisandro Borges
30/04/2004 13:06
Depois desse texto deprê que você leu abaixo...
Ouça em alto e bom som: Three Days Grace - I hate everything about you
enviada por Elisandro Borges
30/04/2004 12:57
Ela deixou o vazio
Vejo as coisas se repetindo, vejo pessoas se apegando em pessoas.
Hoje sinto uma gripe dentro de mim que invade esse espaço agora vazio.
Preciso me curar dessa enfermidade.
Ela chegou assim, meio do nada e contaminou meu amor também.
Foi perdendo forças, não a gripe, o meu amor.
Estou enxergando de longe uma imagem distorcida, cada vez mais embaçada e difícil de discernir. Talvez seja o delírio da febre, estou de cama.
Não consigo mais diferenciar se foi apenas um sonho ou se de fato a vi partindo aos poucos. Estou sentindo frio, embora esteja fazendo um calor escaldante em minha volta.
O meu suor é real, mas o frio não deveria fazer muito sentido a essa altura.
É mais aqui dentro mesmo, tudo acontece aqui dentro.
Vou ficar de molho até essa febre passar.
Nada... Nada mais entre nós. Acabou. Ela deixou o vazio.
Sei que existe muita vida do lado de fora e que muitos esperam por minha recuperação.
Sendo assim, vou ficar tranqüilo, pois tenho mais um motivo para continuar seguindo o curso de uma história, e que de uma forma ou de outra, sempre vai haver algo a acrescentar.
21/02/04.
Ela deixou o vazio
eliblog@ig.com.br
enviada por Elisandro Borges
30/04/2004 10:39
Ouça em alto e bom som: Lenine - Paciência
enviada por Elisandro Borges
30/04/2004 09:32
Obrigado
Obrigado pelo tempo que cada um reservou e reserva pra deixar um comentário ou qualquer sinal de vida que seja. Fico muito, mas muuuuuuito feliz quando abro o blog e vejo que mais uma pessoa apareceu por aqui. Considero isso a maior manifestação de carinho que eu poderia receber nesse país tão longe de vocês. Por favor, desconsiderem os supostos erros de português, pois a idéia do blog é a liberdade verbalizada em seus diversos aspectos, e esse espaço é simplesmente um habitat imaginário, porém real, e não deixa de ser o nosso habitat em comum, lugar onde as idéias e pensamentos se misturam de forma aleatória. Não sou o dono da verdade, simplesmente desabafo tudo o que sinto e penso, em frases soltas e por vezes até sem sentido algum. Agradeço muito também às pessoas que freqüentam o blog e naturalmente preferem apenas ler os textos, e àquelas que eu eventualmente jamais chegue a sonhar que por aqui estiveram. Aqui vão os nomes das pessoas que me deram a honra de deixar os seus nomes registrados. Por favor, não reparem na ordem dos mesmos, pois cada um de vocês tem uma marca bem peculiar em meu coração. Não coloquei nenhum comentário, pois eu poderia ser insuficiente nos créditos, o que com certeza não expressaria a real importância que merecem. Nunca fui dos melhores a elogiar, mas preciso praticar com maior freqüência essa virtude. Bom, os nomes que eu não colocar a cidade na frente, subentendem-se Goiânia-Go:
Edson Borges da Silveira, Giselle Fleury (Rio de Janeiro, Rj), Angela Ribeiro Neves, Aline Plácido Borges, Fernanda Stange (Vitória, Es), Kênia Fernandes Borges, Lorenna Bonifácio, Ana Renata de Oliveira Dias (São Paulo), Rosilane Fernandes Borges, Keyla Pereira (?), Clélia Fernandes Ternes e é claro, dona Cleres Fernandes Borges, que mesmo sem o nome registrado no blog, está registrada aqui no peito, sempre!
Valeu demais!!!
Obrigado
eliblog@ig.com.br
enviada por Elisandro Borges
29/04/2004 12:38
Ouça em alto e bom som: Placebo - Where is my mind
enviada por Elisandro Borges
29/04/2004 12:20
Maré russa
Nesse momento estou feliz, daqui a pouco vou estar triste, mas depois estarei feliz de novo, e depois triste, e depois feliz...
Isso tá parecendo brincadeira de bem me quer, mal me quer. Espero que a mesma termine em bem me quer, é claro. Essa constante oscilação entre altos e baixos é uma realidade praticamente imutável. Já ouviu falar em maré Russa? É exatamente isso que você tá pensando, é a mistura entre montanha russa e as marés que enchem e esvaziam o nosso território. Acho que o único e último ser inexoravelmente feliz é o bonecão do posto mesmo. Eu ia falar do pinóquio - aquele bicho de madeira ordinário e literalmente cara de pau, mas aí lembrei que na verdade ele é completamente frustrado por não ter virado gente, enquanto que o bonecão do posto não tá nem aí pra isso.
Sabe de uma coisa, já estou enjoado desse papo superficial de felicidade e de todos os textos ou cursos que tentam ensinar passo a passo com você os segredos de como ser um trequinho feliz, sem mencionar e já mencionando as diversas opções de pagamentos facilitados. Só falta irem receber em domicílio.
Não consigo mais ler manuais de autodestruição, ou melhor, de auto-ajuda. Hoje, qualquer migalha com o título: Seja uma pessoa feliz em 10 dias e conquiste o seu próprio sucesso, tem o poder de me dar dor de barriga, daquelas que nem elixir paregórico é capaz de curar. Acho podre qualquer tipo de clichê, se bem que às vezes me agracio com a infelicidade de ser o próprio em pessoa.
Em suma, nem mesmo os mais pragmáticos religiosos são felizes o tempo todo. Não adianta falarem que aquele vazio que sentimos é falta de Deus no coração, porque eles também são irmãos dos homens do mundo, e da mesma forma, sentem tristeza ou felicidade de acordo com o que vivem em cada situação. Chega de conversa. Deus nos fez seres humanos, e isso já é o bastante para responder quase todas as incógnitas a esse respeito...
Maré russa
eliblog@ig.com.br
enviada por Elisandro Borges
28/04/2004 09:45
Ouça em alto e bom som: Damien Rice - Vocano
enviada por Elisandro Borges
28/04/2004 09:40
On kô tô?
Livro, caderno, passaporte, relógio, tudo espalhado pelo chão. Na verdade eu não entro em meu quarto, eu mergulho de ponta e acabo me perdendo no meio de tanta bagunça proveniente de uma mente em pleno colapso. Impressionante! Já pensei até em por um trampolim aqui na porta. Tem até par de meias atrás da cortina. Aliás, elas não estão lá à toa. A intenção é fazer da janela um varal e assim não precisar ficar indo muito longe.
Morar "sozinho" tem desses improvisos, ainda mais em um país distante e tampouco familiar. Sem falar da comida. E a comida? Como é que fica? Bom, como cozinheiro tudo o que faço bem mesmo é um ovo mexido, uma beleza, pelo menos nunca reclamaram do cheiro, mas provar que é bom só eu mesmo pra correr o risco.
No entanto, desconsiderando a zona instalada pela pessoa que vos fala, o globo segue girando e graças à gravidade tenho conseguido manter os pés relativamente no chão, embora muitas vezes nem a mesma é capaz de controlar a órbita em que gravito...
On kô tô?
eliblog@ig.com.br
enviada por Elisandro Borges
28/04/2004 00:46
Ouça em alto e bom som: Portishead - Roads
enviada por Elisandro Borges
27/04/2004 13:53
Um minuto na vida
Geralmente as pessoas que falam: não some não, logo em seguida, são as primeiras a desaparecerem. Imagine então as que dizem: não desaparece não, essas sim, evaporam sem deixar rastro, nem cheiro. Nunca foi de surpreender o fato de que esse polêmico ser volúvel em comportamentos e humores, tem sempre dado trabalho para a sua própria espécie. Trabalho no sentido de dar canseira mesmo ou de simplesmente não se importar muito com coisas e pessoas.
Há sempre uma desculpa para cada situação e uma bem comum é: nossa me desculpa, não tive tempo de te ligar. Bom, primeiro que o dia tem longas e intermináveis vinte e quatro horas, por mais subjetivas que sejam. Supondo que se tirarmos um minuto dentre um montante de mil, quatrocentos e quarenta e quatro minutos; sobrarão ainda, mil, quatrocentos e quarenta e três minutos. Isso significa que um minuto, daria pra fazer um telefonema rápido e avisar a possível ausência.
Tudo bem que não é obrigação de ninguém ficar dando satisfações em freqüências diárias, mas o problema é que dificilmente assumiremos nossas verdadeiras prioridades quando essas por fim não forem tão importantes quanto dar um pequeno sinal de vida a quem merece. Prioridades à parte, ainda assim estaremos pensando em primeira pessoa, e o que vier depois, virá por conseqüência.
Aproveitando o ensejo, de antemão já vou pedindo desculpas, e prometo que da próxima vez te ligo, claro, se eu tiver um minuto na vida...
Um minuto na vida
eliblog@ig.com.br
enviada por Elisandro Borges
25/04/2004 14:08
Feche os olhos
É estranho tentar abrir os olhos enquanto eles forçam para serem fechados ou até mesmo dizer qualquer coisa que se passa por aqui sem permissão e com um grau exacerbado de intolerância. Estou passando as noites em claro mais uma vez num divã sem precedentes.
Esse, por incrível que pareça, diz a verdade em tons de subserviência. O rumo que esses pensamentos me levam ainda não permite premeditar as próximas estações. Elas são aleatórias em suas escolhas. De mudanças em mudanças vou colhendo fragmentos de contentamento e assim satisfaço o pouco que me sobra em acomodações ociosas do tempo. Esses espaços em que me encontro por entre letras e sons dispersos deixam resquícios de indisciplina.
A lei do menor esforço é quase que onipotente e sua ação parece entorpecer em overdoses as lentes pelas quais enxergo o mundo. É preciso lutar contra a decadência dos dias que nos fazem seres menos humanos. Os ponteiros giram implacavelmente. A gravidade não perdoa a elasticidade da pele, mas também não tem o poder de anular as evidências de uma mente em expansão. Desafios involuntários nos acertam em cheio nos supostos acasos que nos acometem em dias incertos. Onde estão aqueles pés descalços que não encontram chão macio? E esse rosto desguarnecido que insiste em dar de cara com a intransigência?
Não foi nenhum homem velho que lhe aconselhou desde que você percebeu pela primeira vez os cinco sentidos. A sua própria consciência urra em seqüências desconexas nos sonhos em que lhe visita. Sua comunicação interna pede socorro, ela encarecidamente implora por um norte. Sua forma linear de compreender os fatos lhe cega o mais simples do bom-senso. As paredes fechadas e janelas cobertas não deixam o sol entrar em suas devidas proporções. Pode fechar os olhos agora. Você já viu tudo o que foi permitido, inclusive o que não lhe competia tal interesse particular. Feche os olhos.
Agora sim vai poder enxergar de verdade...
Feche os olhos
eliblog@ig.com.br
enviada por Elisandro Borges
25/04/2004 10:14
Imponderavelmente amor
Às vezes lamento as noites de sono que perdi em tormentos, derivados ou não, da minha imaginação infértil. Sinto muito ter perdido tanto tempo assim tentando moldar as pessoas de acordo com a imagem infalível que me perseguia e traia minhas expectativas a cada oportunidade. Não quero mais sentir muito. Sabe, acho que os monges só são monges porque não vivem o amor mundano, caso contrário, algo me diz que ficariam loucos de jogar pedra. Pelo menos nunca ouvi falar em monge apaixonado, ou que investisse em manuais de alto-ajuda para conquistar uma discípula de meditação transcendental.
Eu queria ter o amor gratuito, aquele que chamam de incondicional e nada exige em troca. Podemos ser amados em palavras, mas se essas contradizem os atos, de nada valem o eu te amo. Muitas vezes é possível sentir o coração de alguém pelo simples tom de voz. Buscamos encontrar novas respostas para as mesmas indagações de sempre. Tentamos compreender que muitos amam, porém não sabem expressar o sentimento. Como assim?!? Se sentimos dor, gritamos; se sentimos raiva, a gente fecha a cara; se ficamos tristes, podemos até tentar disfarçar com um sorriso, mas esse sempre termina saindo fraco e sem graça.
Quando estamos amando, o nosso jeito de falar muda, a nossa memória dificilmente falha nas horas em que esperam de nós um pouco mais de atenção. Não é preciso ter a eloqüência da retórica para expressar o que sentimos, pois mais cedo ou mais tarde, as atitudes acabam transparecendo a verdade. O amor é espontâneo e seu instinto conhece bem os caminhos que deve seguir. Temos um coração também, que para nutrir o amor, precisa de outro batendo em compassos relativamente sincronizados. O amor jamais esquece dos detalhes que o fazem maior. Ele nunca se pauta no tanto faz, ou na filosofia do se não quer, tem que quer. Ele procura criar sempre as virtudes que o alimenta e cuida com carinho especial para que essas não cáiam em esquecimento. Ele não tropeça insistentemente na mesma pedra. Mencionamos a cura pelo amor, mas muitas vezes costumamos negligenciar sua essência.
O amor continua com sua grave deficiência visual disse-me dona Alice, a vóvó. Já uma amiga falou que ele não é cego coisa nenhuma, e sim que fingia não enxergar. Chega a dar a impressão de que ele é burro e masoquista. É incapaz em certas horas. Incapaz de esquecer prontamente uma possível escolha equivocada que o consome lentamente. Seria muito bom se fossemos como o teclado de um computador que tivesse a opção de deletar em frações de segundos tudo o que fosse indesejável. Entretanto não somos assim. Somos lentos na assimilação da possibilidade de perder alguém importante, que um dia nos fez muito felizes. É melhor nem pensar nessas coisas, mas se por acaso tivermos a infelicidade de perder essa pessoa, ainda assim valeu a pena. Não perdemos por sofrer e nem sofremos em vão.
Aos que amam sem ponderação como eu, torço para que possam encontrar um equilíbrio interno, uma medida sensata entre amor e realidade. Se bem que sensata tem sido a última palavra que podemos encontrar nesse dicionário. Uma coisa é certa, não temos sido conscientes o bastante ao amar. Afinal, será que amar é mesmo tudo? É impressionante, mas até hoje me faço esse tipo de pergunta...
Imponderavelmente amor
eliblog@ig.com.br
enviada por Elisandro Borges
24/04/2004 12:29
As mendigas do amor
(a pedidos)
Praticamente rastejando-se ao chão em meio a desarranjos de um fora implacável, ela consegue se levantar depois de uma sessão de palavras descartáveis. Descartável mesmo era o trapo humano pelo qual Aninha arrastava a bunda. Ninguém entendia tamanho sofrimento por tão pouca razão. Padecer em doses homeopáticas por esse amor era sua maior aflição e não havia nada mais incontestável que uma característica particularmente inconfundível da mocinha que calçava seu tênis rosa-choque recém saído da vitrine só pra combinar com sua bolcinha de penélope. Quem? Aninha? Não, vai fazer 23 anos em agosto, não me lembro o dia, só sei que já é bem grandinha. Não é bem assim também. Maturidade não se comemora à cada data de aniversário que exibimos ou escondemos, e diga-se de passagem, ela não é nem um pouco imatura. Mas me fala uma coisa... quem é que se habilita em julgar esse tão famigerado sentimento que chamamos de amor? A Aninha é só mais um caso em um milhão.
Quando amanheceu o dia, ela estava completamente arrasada com a má digestão da intempérie do dia anterior. O Sérgio pintou, bordou e como não bastasse, escorraçou a coitada de casa eu quis dizer da casa do galo de briga, não da penélope abatida. É... esse é o preço de uma aposta errada, embora não exista um regra irrefutável para esse tipo de coisa ou um lugar padrão que lhe garanta um amor enterno, fiel, nobre e incondicional que lindo! Incondicional é demais, não é?!! Já vi gente criando saci lá perto de casa, sabia? Impressionante o amor incondicional que eles trocavam entre si. Isso é verdade. Você pode pensar que é uma verdade mentirosa, ou uma mentira verdadeira, mas está aí para quem quer enxergar. O quê é que as mulheres podem fazer então? Parece que vão precisar sujar a roupa e terem que reconhecer seus penduricalhos mais raros e preciosos imersos em brejos profundos.
Aninha dava continuidade ao seu choro copioso em horas intermináveis de auto-piedade. Sua irmã, Isabel, 24 pra 25, que também não deixava de ser mais um número na lista das mendigas tentava consolar a pobre maninha. Só que à medida em que se envolvia com o caso da irmã, mais se lembrava do Diogo, aquela figura disforme, rude e de fala estridente aos olhos da mãe, mas que fazia seu coração suspirar à cada sofreguidão de batidas descompassadas quando o via entrar pela casa. Parece que nada dá certo, nem com elas, nem com as amigas. É realmente o clube das titias carentes e desoladas, que sentiam-se meio que traídas caso alguma delas arrumasse um namorado. Parecia mais um pacto de abstinência sexual ou algo semelhante ao jejum da vó Filó.
Ao mesmo tempo cômico e melancólico, ora comovente, ora frustrante, essas mocinhas levavam a vida de uma forma um tanto quanto dramática ou ao menos digna de cuidados especiais. Elas tinham umas às outras assim como mães e filhas, um casamento em massa quase que em perfeita harmonia. Eram as mendigas do amor, batendo de porta em porta, à procura de um bom partido que pudesse oferecer o mínimo de atenção e carinho; que pudesse fazê-las mulheres, desejadas, nem que fosse preciso mentir, aumentar um pouco ou diminuir, dependendo do caso, seja lá o que for. Elas queriam é ser idolatradas, queriam alguém que fizesse aquelas velhas coisas de sempre, como dar flores com cartões apaixonados, abrir a porta do carro, imaginando aquele cara que sofresse de insônia preocupado com a prova final do semestre que ela fez sem estudar nada.
O detalhe da porta me fez lembrar o peão aspirante a namorado da Isabel. Logo no primeiro encontro, Carlos, que tinha ganho dois ingressos para o show do Amado Batista, resolveu convidá-la. Chegando em sua casa, como todo romântico irremediável, foi abrir a porta do seu fusquinha 72 para a princesinha e acabou tendo a infelicidade de arrancar a bicha num solavanco de dar medo. O vexame não podia ser pior. Levou um bom tempo para encontrarem uma corda lá no fundo do quintal, na casinha do Bartolomeu. Não parou por aí, veio o pai e a mãe da Isa pra tentar amarrar a porta, mas aquela geringonça não dava trégua. Pra aumentar a confusão, começou a juntar um monte de curiosos, daqueles que só dão palpite onde não são chamados e ainda pagam sapo. Só depois de terem jogado sal nos anfíbios penetras da vizinhança, é que finalmente conseguiram amarrar a porta. Essas cenas a gente nunca esquece, não é? Na época, tudo isso que aconteceu não teve a mínima importância para ela, pois o que interessava mesmo era estar bem colada com o seu amor. Tem gente que por exemplo não tem sequer um fusquinha sem porta pra andar e ainda assim é conhecido como avassalador de corações. Como o caso do Betinho, aquela paquera da Maiara, que chegava religiosamente toda segunda, quarta e sexta, depois da novela das oito com sua ferrari, aquela monarkona barra circular pelo menos a cor lembrava uma ferrari. Era lei, a Maiara sempre voltava com a bunda toda marcada da garupa, mas nada era capaz de tirar o sorriso farto de seu rosto e o brilho ofuscante de seus olhos. Tocante!!!
Dá pra perceber que elas não ligavam muito para dinheiro ou beleza física, parece brincadeira, mas tudo que importavam mesmo era com o caráter do Holy. O quê? Holy, Wolly, Holly, Oli, Uoli, Uol? É, é isso mesmo. Onde está o Holy? Lembra do Holy? Pois é, o problema é que estão procurando o mito do bom caráter até hoje. Mas elas continuam acreditando porque sabem que esse não é apenas um mito. Tá certo que se parece com o Holy, vive sumindo no meio da multidão, mas que ele existe, existe. Não há dúvidas. Não me esqueço das terapias em grupo que costumavam fazer uma vez por semana na casa das duas irmãs inseparáveis, Aninha e Isabel. Convidavam também alguns amigos para fazerem parte da terapia, no intuito de não deixar o grupo tão desequilibrado, não que eles seja superiores pelo fato de terem nascido homens (mulheres, não me levem a mal), mas por simplismente entenderem melhor a cabeça dos marmanjos e de alguma forma poderem acrescentar alguns conselhos que liam escondido, em manuais de auto-ajuda. Era muito engraçado ver aquele monte de pré-adultos reunidos em prol do amor. Não podemos generalizar quando os chamamos de pré-adultos, porque tem uma exceção no meio do grupo, é a Lud, 33 anos de estradas bem vividas, a vovó da turma e uma espécie de colsuntora sentimental. Lud não era perfeita, assim como todos nós. Ela tinha seus dias de colapsos nervosos e uma vez ou outra trancava-se em sua toca por no mínimo uma semana. Aí então, quem corria atrás dela eram as filhinhas orfãs do amor.
O tempo segue o seu curso e a visão de homem para elas piora à cada choro desesperado de uma mendiga filiada. Estão perdendo as esperanças do homem ideal. Estão cansadas das batalhas árduas e sangrentas, das zilhões de vidas dilaceradas por essa espécie inescrupulosamente insensível. Essa imagem persegue seus sonhos aparentemente longínquos e quase utópicos. Mas não. Elas podem ser mendigas, porém nem tudo está perdido. A esperança continua sendo para elas a amiga mais fiel em tempos de maré baixa. Mesmo assim, ainda são de carne e osso, e apesar de tanta fé, de vez em quando chegam a esmorecer com tantas decepções que encontram pela frente. Como a Aninha, que me passou um e-mail contando que sentia-se como se estivesse em uma piscina com água até o nariz, sem forças e tampouco sabendo nadar, na ponta dos pés pra tentar respirar e com uma torneira enchendo de gota em gota.
As mendigas continuam... talvez, quem sabe...
*Créditos à Angela Ribeiro Neves, de onde deve ou não ter surgido a idéia desse romance brega baseado em fatos.
As mendigas do amor
eliblog@ig.com.br
enviada por Elisandro Borges
23/04/2004 10:06
Vestígio moral
Pronto, agora é de verdade. Não vou mais acreditar de cara em tudo o que me dizem. Vou conferir cada detalhe que chega até mim, por mais segura que seja a fonte. Minha tese de futilidades em prol do bem-estar ou felicidade nem sempre deu certo. Não é tão eficaz como eu pensava. Essas crises de besteiras agudas às vezes passam do limite e diminuem o único vestígio moral que aparentemente resta em minha reputação. Postura é algo realmente imprescindível na vida de um bípede supostamente pensante, não é?!! Fala a verdade. Pois então, levei 25 anos para poder enxergar isso.
Não é seguro ficar à vontade em qualquer lugar ou falar qualquer coisa que vem à cabeça no primeiro momento. Você está sendo julgado a cada segundo, pelo que pensa, pelo que fala, até pelo tom de voz que costuma usar. Às vezes ser muito engraçado torna-se patético e querer sempre agradar as pessoas é forçar a amizade, é estupidez desnecessária. O mais certo seria ficar na nossa e cuidar do nosso próprio nariz. Na prática, as coisas funcionam um pouco diferente do que pregam os bons conselheiros, ou seja, que falem mal dos outros, menos do nosso nariz, porque senão o bicho pega...
Vestígio moral
eliblog@ig.com.br
enviada por Elisandro Borges
21/04/2004 07:39
Me falaram de gente grande
Me falaram há muitos anos, que quando eu fosse gente grande, eu teria que me virar sozinho e não iria ter meus pais para o resto da vida. Me disseram também que o mundo lá fora não passa a mão na cabeça de ninguém. Engraçado, tenho a leve impressão de que já cheguei à essa fase de gente grande. Percebo agora na pele, a realidade da qual estavam tentando me ensinar décadas atrás. É verdade, é tudo verdade. Não estavam tentando me assustar. Tudo aquilo me parecia uma estorinha de bicho-papão só pra dar um pouco de bons modos a moleques mal-criados. Bom, como eu achava que era um menino comportado e criado sob uma razoável instrução, cheguei a pensar que eu era infalível e gostava de amarrar uma toalha no pescoço e fingir que era o super homem. De super homem eu não tinha nada. Na verdade eu tinha a inocência que o mundo hoje finalmente conseguiu me roubar .
Me ensinaram a conversar com Deus, a rezar o Pai Nosso, alguns quiseram me impor uma religião, outros me contaram que Deus não importa se você tem ou não uma religião, mas que bastava fazer o bem e ter fé sempre, independente de quaisquer circunstâncias. O mundo me confundiu a cabeça em várias ocasiões. Conheci pessoas boas que faziam coisas más e vice-versa. Me deram regras para respeitar, padrões para seguir e muitos conselhos
tentaram pensar por mim, resolver problemas em meu lugar, mas nada iria adiantar quando chegasse a hora de ter que fazer a comida com minhas próprias mãos no lado mais suave da coisa. Era muito cômodo receber a papinha que a mamãe preparava com tanto carinho. O moleque cresceu, e o máximo que conseguia fazer, era pedir dinheiro pra comprar um big mac no shopping e é claro, bancar os caprichos da gata. À noite, era só ligar, que o papai buscava. Pegar ônibus? Pra quê? Não era pra isso que a gente tinha os nossos pais? Pra nos proteger do mundo e tampar os nossos olhos da miséria afora?
Talvez tenham protegido demais suas crianças. Hoje, adultos, alguns ainda confusos e inseguros, extraviaram o senso de luta que na verdade nunca adquiriram. Depois, mais tarde, a probabilidade de toparmos com a lei da sobrevivência pode ser eminente. Para poucos afortunados, esse senso não se faz necessário e o mesmo vaga distante de suas moradas. Já para outros, acabam engolindo sapo a seco na voracidade do tempo e engasgando com espinhas de bagre. O amor de nossos pais geralmente não costuma ter aquele coração comedido. Por vezes, como antes mencionado, até chega a ser superprotetor, o que não é saudável. Existe um universo inteiro urgindo lá fora e é como gritaram em nosso ouvido: Cái no mundo! Não dá pra ficar que nem avestruz com a cabeça enfiada no chão. Não é apropriado perder a chave no escuro e ficar tentando achá-la na base do tato. Enxergar é preciso. Continuam gritando e berrando
não é escondendo a cara do mundo que vamos evitar as porradas disse o vizinho. Quem tem medo de apanhar nunca sobe no ringue. Gente grande é assim. Meio que dá a cara ao tapa, ignora a dor e paga pra ver. Eu quero ser gente grande também. Não precisa ser necessariamente pelo dinheiro, mas se Deus quiser e torço pra que Ele queira que seja ao menos pelo caráter.
23/01/03.
Me falaram de gente grande.
eliblog@ig.com.br
enviada por Elisandro Borges
21/04/2004 07:25
Covarde
Resumindo, acho que tenho me tornado um covarde então. No entanto, mesmo depois de tantos tropeços, acredito que essa fase vai passar e um dia ainda vou acabar me expondo de novo a esse negócio que chamam de amor ...
Covarde
eliblog@ig.com.br
enviada por Elisandro Borges
21/04/2004 07:18
Endorfina
Vou ficar o tempo inteiro. O tempo inteiro lembrando dos dias de risadas incontroláveis. Vou rir, rir, rir, até a barriga doer. Vou viver em tom de música, compor as notas que nos engrandecem. Vou depressa, vou sem fim, só pra falar de Marisa Monte. E quando eu tiver um motivo pra ficar triste, vou me lembrar dessas palavras, das tantas vezes que me contaram uma piada sem graça, mas ainda assim valeu a intenção. Quero esquecer as inconveniências. Vou dar prioridade às conversas amistosas em vez de tentar provar teses irredutíveis em discussões homéricas e antagônicas.
Vou preferir deixar a razão com os donos da verdade a ter que me debater com a cólera da prepotência. Vou deixar a fome de aprovação do monólogo ser saciada em banquetes fartos de silêncio. Não importa se caluniaram, a calúnia é como um cão selvagem, ela pode morder as suas presas à surdina, mas não consegue esconder os rastros de suas próprias origens. Deixa pra lá, deixa o vento levar. Àqueles que me fazem feliz, quero mostrar reciprocidade e gratidão. Quero levar pra casa só roupas limpas, quero guardar os souvenirs que nos remetem à boas lembranças. Vou abusar da endorfina esse hormônio que nosso organismo libera quando estamos vivendo situações agradáveis e, fisiologicamente falando, é ela que nos produz aquela sensação de bem-estar.
"Vamos lá, tudo bem, eu só quero me divertir, esquecer dessa noite, ter um lugar legal pra ir. Já entregamos o alvo e a artilharia, comparamos nossas vidas e esperamos que um dia nossas vidas possam se encontrar" . Acredito que todos já conhecem essas palavras entre parenteses. Acredito também em nossa capacidade de reverter certas situações e em nosso poder de transformação. Acredito nos benefícios do bom-humor, na cura do amor, no contágio da boa amizade e na benevolência do respeito mútuo. Em suma, continuo assim, mesmo depois de tudo que já vi e ouvi, ainda boto fé na nossa espécie, ainda continuo acreditando nas virtudes do ser humano.
05/02/04.
Endorfina
eliblog@ig.com.br
enviada por Elisandro Borges
21/04/2004 07:05
Teatro gratuito na lua
A lua deve ser um lugar bem propício para morar. Cresci lunático e meu chão parece não ter gravidade. "Fica aí na Dido, não garra não pra você ver!" É muito engraçado ouvir meu primo falando assim. Isso significa que tenho que parar de ouvir Dido o dia inteiro e trabalhar mais. Fico rindo até agora só de lembrar disso. Eu viajo demais na maionese, mas é tão bom! Não preciso nem me drogar para conseguir tal façanha. Suspeito que quando era pequeno, bati a cabeça no chão e desde então nunca mais fui o mesmo. Para se ter uma noção, meu pai pegou-me aos três anos de idade brigando com um menino invisível no mini-jardim lá de casa. Ele presenciou o suposto garoto me empurrando. Na verdade não viu ninguém, apenas me viu caindo do nada e pedindo para escorraçar o moleque de lá.
Aos seis anos, aprendi a fazer um chá com meu amigo André, o mais velho da turma, o desbravador da zona. O principal componente desse chá era ácido úrico, ou seja, urina mesmo. A nossa primeira e única cliente, foi a Tatiana, mais ou menos da nossa idade. Quem disse que criança é sempre pura. Só se for pura maldade. Tenho vergonha de falar essas coisas, mas confesso que já fui até carrasco mirim. Tive a capacidade de fazer uma menininha comer o côcô do cavalo que puxava a carroça do seu João, o leiteiro. Parece humor negro, mas já chorei amargamente e não há nada que me faça apagar aquela imagem da cabeça. Acho que encorporei Adolf Hitler e confundi a garotinha com uma judia e judiei dela. Aquele bastardo podia ser qualquer um, menos eu, não admito isso, simplesmente não admito!!!
Espero que já tenha pago todos os meus pecados, pois ninguém merece tanta crueldade. Já pensei até em virar padre por arrependimento, mas o problema é que batina nenhuma suportaria uma mente tão impura. Vou me redimir dessa vez. Prometo que vou me esforçar para ser um cara menos mau. Sei lá, vou ser o mauricinho de alma metaleira que sempre fui, vou tentar não ser tão crítico com as aberrações que encontro pela frente (tá vendo?!! Já estou criticando). Vou tentar falar menos um pouquinho. Eu falo demais. Essa pessoa não sou eu, essa pessoa não é ninguém. É tudo apenas um teatro gratuito, vai ter que ser de cunho beneficente, pois se não for, provavelmente veremos mais assentos vagos do que bundas amassadas. Talvez por ser gratuito, alguém teria a coragem de tirar alguns minutos de sua vida para comparecer à essa peça. Só não sei se vão conseguir transporte para chegar lá, pois o teatro é lá em casa, lá na lua, no meu habitat comum, talvez de onde jamais deveria ter tirado os pés.
05/03/04 - sexta.
Teatro gratuito na lua
eliblog@ig.com.br
enviada por Elisandro Borges
21/04/2004 06:58
A tese do por enquanto
Meus dias são de vacilo. Eles acreditaram no amor sem fim. Esse é o meu lado sujo que nasceu dessa coisa. Esse amor não deu frutos e apodreceu antes da hora. Não quero fantasiar nada, se sonhar significa acordar caído da cama com aquela sensação de enxaqueca. Estou tonto, mas não sou tonto. Esse papo de pra sempre não me pega mais. Quem é que vai me garantir que tudo vai ser pra sempre? O Cheguevara que sobrevivia aqui nessa história está fraco e abatido. Não está conseguindo lutar pela tese que sempre defendeu com unhas e dentes. Joga isso fora, ele já foi rejeitado. O amor em vão é aquele que não merece esforços e nem tentativas pautadas no talvez ou quem sabe da próxima vez. Uma tremenda palhaçada. Sexo descartável e finito, carne consumada em arrebatamentos íntimos. Vai, não pára. Se parar não chego. Eu te amo! Esse suor é seu, não tenho mais fôlego para dizer o quanto fui submisso ao seu poder. Amor, você poderia ser a única, mas abriu mão do esforço e o mundo a levou. Esse amor apaixonado é só uma fase. Ele confundiu os fracos e de ironia tirou-me a visão. Mas estou de volta a enxergar o que antes cansavam de me falar. Não conseguia acreditar que ninguém era de ninguém, ou que seria bom enquanto durasse. Eu queria ficar velho de amor. Talvez eu me iluda novamente. Vou parar de ficar ostentando essa bandeira.O gosto amargo que ficou em mim tempera essa ânsia, uma vez que o por enquanto é a medida exata de quanto dura o prazer. E se a ilusão nos faz feliz, vamos vivê-la no próximo encontro então.
11/03/04- quinta.
A tese do por enquanto
eliblog@ig.com.br
enviada por Elisandro Borges
21/04/2004 06:55
Ele não precisa explicar o que não sabe
Não falei por falar, porque queria te ouvir.
Sentei lá fora e fiquei contando as horas.
Não me recordo quem falou que é para deixar os garfos e as facas,
pois a vida se come com as mãos lambusando-se aos montes.
Dividi e separei os pedaços que ali estavam soltos.
Assim sem nexo ou razão, sem hesitar.
É só a mistura que a faz única e dá essa forma inteira com quase todos os pré-requisitos.
Ficou assim por ser entendido o que já era subliminar.
Já estava lá, não dava para ver direito, mas percebemos ao chegar.
É o ritmo dos dias que ainda não aconteceram, a saudade que não deixa esquecer, e o raro segundo de silêncio que nos pega de surpresa.
Eram só fotos, mas fizeram um filme daquele ensaio.
A idéia existia antes de levantarmos a hipótese. Só faltava descobrir.Pra quê questionar o amor, quando ele não precisa explicar o que não sabe?
Ele simplesmente sente ou deixa de sentir.
Ele nasce, vive eternamente ou morre aos primeiros suspiros.
Pode acreditar, esse assunto já foi abordado e alguns o abortaram.
Para dores terminais temos a morfina.
Para algumas ilusões temos o chão.
E para fortes emoções, esperamos ainda ter um coração,
pois boas novas sempre virão.
28/02/04
Ele não precisa explicar o que não sabe
eliblog@ig.com.br
enviada por Elisandro Borges
21/04/2004 06:24
Ela já sabia desenhar
Lá vem ela toda esbaforida aos prantos e só o pai para acalmá-la:
- Não precisa ficar assustada. Não existe fantasma nenhum aqui. Aquele barulho que você ouviu era só o pingo d'água que caia da planta. Vem cá, tá vendo? A nossa imaginação é assim. Tudo isso que aconteceu foi só coisa da sua cabeça. Você quase se afogou em um pingo d'água. Fica tranqüila e lembre-se sempre que quando estiver sozinha, sua imaginação vai te falar um monte de coisas no ouvido. Cuidado para ela não controlar os seus pensamentos. Você é quem tem que controlá-la. Quando crescer vai lembrar desse dia. E tem que começar de agora, desde cedo. Espera aí... o quê é que você tem aí nas mãos?
- Dedo, papai.
- Não meu amor. Estou falando dessa pasta que está segurando.
- Ah, são meus desenhos. Eu guardo todos eles aqui dentro.
- Deixa eu dar uma olhada. Sabe, você já é uma mocinha mesmo, e desenha como ninguém. Sua mãe vai ficar orgulhosa quando souber disso. Mas filha, não esquece desse detalhe, é muito importante. Eu vou estar sempre do seu lado na medida do possível, ainda assim, quero que cuide bem dos seus pensamentos. Eles vão ser responsáveis por boa parte de seu futuro. Eu não posso pensar por você, mas posso te orientar. Você vai mudar com o tempo, essas roupas não lhe servirão mais. Não precisa ficar assustada, aos poucos vai conhecendo a vida. Ainda vai se apaixonar, vai viver muitas coisas. Fica calma. Foi só um pingo. E por falar em pingo, você está pingando de sono. Vamos dormir agora!? Amanhã você continua. Dorme com Deus.
Ele saiu do quarto e deixou a porta entreaberta para a luz do banheiro entrar. Ela ainda tinha medo do escuro.
Mas passou, tudo passou...
07/03/04- domingo
Ela já sabia desenhar
eliblog@ig.com.br
enviada por Elisandro Borges
21/04/2004 06:12
Mais uma chance de ser feliz
Vivemos somando números, buscando conquistas, procurando alguém. Se me perguntarem o que quero na vida, tenho a resposta pronta. Quero o que todos querem. Quero ser feliz. Não só nos momentos favoráveis, mas principalmente nas curvas sinuosas, nos trancos e barrancos, nos declives, deslizes, tropeços e tombos.
É como aquela frase do ator Wellington Nogueira: "as crianças nos ensinam o tempo todo. Elas abrem espaço para viver a alegria, mesmo vivendo situações adversas". Em certos horas, somos capazes de quase tudo para alcançar a auto-realização. Embora, muitas vezes sabendo e tendo acesso às coisas e pessoas que nos fazem felizes, acabamos negligenciando as infindáveis oportunidades de viver bem com o que temos.
Mais, mais e mais. A sensação é de estarmos sempre em busca de algo mais, numa jornada com destino pré-definido pela razão, porém desnorteada em diversas ocasiões pela emoção vulnerável, o que acentua ainda mais nossa deficiência de discernimento entre ambição e ganância.
Poderemos levar décadas, centenas de gerações para finalmente praticarmos com sabedoria o grande denominador comum - a felicidade. Todos sabem, todos entendem, mas poucos a vivem com devida intensidade. Hoje, consigo me lembrar das horas que me antecederam, amanhã, quem sabe, talvez... só que "talvez", me soa muito remoto, e nesse caso, agora, nesse instante, vou tomar um banho, respirar bem fundo e agradecer a Deus por mais um dia, por mais uma chance de ser feliz.
Mais uma chance de ser feliz
eliblog@ig.com.br
enviada por Elisandro Borges
21/04/2004 05:54
Não sei, ainda não sei
Não sei quantas vezes contei os dias pra estar ao lado de alguém que tanto amo. Não sei também quantas vezes me senti desnorteado. Não sei quantas vezes me dediquei ao amor com toda a minha força e com recursos que eu sequer tinha à minha disposição. Não sei quantas vezes sonhei em ser amado. Não sei quais os motivos que me fazem pensar que a vida deve ser sempre como eu gostaria que fosse. Não sei o porquê que me cobro tantos resultados antes da hora. Nunca sei quantas horas. Não sei porque temos tanta pressa. Não sei porque somos tão falíveis. Não sei porque escrevo essas linhas.
Não sei, ainda não sei.
Ainda não sei, mas acho que estou correndo, do quê ou de quem, eu não sei. Continuo não sabendo a razão do impulso emocional. Estou correndo das folhas que caem no inverno e que parecem tão pesadas a ponto de causar algum estrago. Não sei porque certas coisas não parecem ter sentido algum e ainda assim nos deixam tão perplexos. Não sei porque divagamos tanto, esquecemos o tempo na esquina, e às vezes lamentamos coisas que jamais perdemos. Como assim? É possível lamentarmos o que não perdemos? Não sei, simplesmente não sei.
Não sei porque as pessoas são tão desentendidas de pessoas. A gente acha que entende, mas a gente só acha
e não sei se é conveniente achar.
Não sei, ainda não sei.
04/01/04.
Não sei, ainda não sei.
eliblog@ig.com.br
enviada por Elisandro Borges
21/04/2004 05:47
Respeito mútuo
Não aguento ficar ouvindo sermão. É muito difícil assim. O que eu mais quero no mundo é paz, quero mais do que dinheiro. Só que às vezes o dinheiro pode te ajudar a conquistar essa paz, pois não existe nada melhor do que ter a sua casa própria, o seu canto, uma esposa que te apoie, que te ame. É muito ruim ouvir críticas destruidoras, ver as pessoas te apontando o dedo. Eu só queria me desabafar, não quero falar de ninguém, mas também não gostaria que as pessoas tentassem controlar a minha vida, o meu ritmo. Eu só quero a paz, desculpem o desabafo.
Mas é aquela história, sempre chega a hora da recompensa, nada é por acaso. Tudo que eu queria era só tocar a minha vida da forma que me satisfaz, da forma que eu bem entendo, mas às vezes a gente precisa de ajuda e corremos o risco de ficar devendo satisfações da nossa vida para os outros. Não importa se vou ser empregado para o resto da vida ou morar de aluguel, se vou levar uma vida medíocre ou virar um multimilhionário e ainda assim torrar todo o meu dinheiro no mundo da música. Só não consigo tolerar o dedo na minha cara. Já teve gente que nunca vi na vida e que veio me falar um monte de abóbora. Nunca prejudiquei ninguém e não sei o que fiz para aqueles que algum dia me julgaram. Bom, geralmente temos a memória curta nessas horas. Sei que não sou nenhum exemplo de altruísmo, embora me esforce incansavelmente tentando tratar as pessoas como gostaria que essas me tratassem.
Tudo bem que sou mais devagar nas coisas que faço, que uma hora ou outra demoro a "pegar no tranco", mas da mesma forma que respeito o espaço dos outros, acho que tenho o direito de ter o meu espaço também. As pessoas falam muito da vida dos outros. Também estou cansado de ouvir essa frase: "falo isso porque é para o seu bem". Que mundo é esse, hein? Me conta! Agora é que eu estou percebendo o tanto que esse capitalismo é realmente escroto. Aqui, se você não o devora, ele te devora. Parece cada vez mais evidente aquele ditado de que as pessoas valem o que elas têm. Somos quase que um número...
Mas não vou deixar esse mundo estragar os meus valores. Os maiores que tenho, independente dos bens materiais que eu venha adquirir, os verdadeiros valores ainda continuam sendo as pessoas que amo.
Sou contra a idéia de que assim como temos amigos, teremos também nossos inimigos. Tá certo que ninguém é obrigado a gostar de tudo e de todos, mas cada um precisa ter o seu próprio lugar, da forma que pensa e bem entende a vida. Paz, é isso que a gente precisa. É só de paz e respeito mútuo. O dinheiro faz muitos perderem a noção do amor. Elas se matam por dinheiro, por território e por incrível que pareça, até mesmo por religião. O quê é isso?!!! É claro que esse é um exemplo bem radical, mas não deixa de ser um fato. O dinheiro sobe na cabeça de muita gente. Deus não inventou esse pedaço de papel. Não sei se isso foi da vontade Dele. O homem criou tudo isso... agora só falta encontrar de volta em nós mesmos a trégua que esquecemos em intrigas criadas até mesmo dentro dos próprios lares, na discórdia, no desafeto, na imprudência da palavra e no desrespeito. Paz... ela resume-se no simples e básico respeito mútuo.
20/01/03
Respeito Mútuo
eliblog@ig.com.br
enviada por Elisandro Borges
21/04/2004 04:38
Just a piece of chess
I've gotta control my impure and dirty mind. I don't wanna spend all night long drifting aimlessly among my imaginary chess pieces. That's just useless, a tremendous waste of time. The morning is coming and the sun will let me know I've got something new here inside. I've made my choices and here I am once again. I'll walk myself to a place were I can find anything close to what we call love. That's not a feeling. That's just a piece of chess. Wrong move, wrong direction. I have misplaced my precious pieces on someone else's board. Maybe I was so blind and confused that I couldn't even realize it. Is it all for real? Such a nonsense could get me stuck in this inner world. It happens to feel like I'm wide awake and things still look the same. However, I've changed throughout the years. This is not the same man anymore. He doesn't breathe the same air, he doesn't believe in the same bullshit again, although he's sort of following some pathes of the past. Now he's able to comprehend a whole bunch of things except for the unwanted love , this sick addiction that he can't deny. Despite all the setbacks, he must keep walking, as long as it takes him to somewhere safe and sound. And from now on, that's where he's heading...
10/03/04.
Just a piece of chess
eliblog@ig.com.br
enviada por Elisandro Borges
21/04/2004 04:23
Original
Quem disse que a imagem reflete o que a gente vê?
Imagem boa ou ruim, não deixa de ser imagem.
Quem disse que o reflexo aos nossos olhos
é uma imitação da realidade?
Estão publicando essa imitação nos jornais,
nas revistas, na mídia
Qual é mesmo o nome disso?
Sei lá. Só sei que plagiaram o mundo, copiaram as
palavras, buscaram o original em fontes prontas do nada.
Que nada é esse? Nada disso!
O mundo é assim. É tudo muito comum e ao mesmo tempo surpreendente.
Quem disse que somos originais?
Somos um aglomerado de negativos revelados no escuro.
Às vezes uma alteração da cópia, outras uma mera reprodução.
Muitos já existiam antes de nós. Somos a enciclopédia de
tudo o que nos acontece a cada segundo. Estereotipamos as
idéias soltas na história e esquecemos o
rascunho alheio em nosso bolso.
Somos uma mutação desenfreada do ambiente.
O jeito espontâneo de ser surgiu da personalidade,
que ao longo do tempo absorveu os exemplos lá de fora.
O estigma de cada um é apenas uma conseqüência de tudo o que
vivemos, acreditamos e praticamos.
A biografia dos grandes homens revela que
eles também inspiraram-se em alguém,
em alguma coisa, em algum lugar
Só não podemos deixar o ego e sua sede de aplauso sufocar essa
inspiração.
Esqueçamos um pouco esse autocrata.
Façamos por prazer sem nos preocuparmos com o reconhecimento.
Elogio mesmo é aquele que nunca chegou aos nossos ouvidos,
e mesmo sem o alvoroço do público,
fomos capazes de levar os nossos sonhos adiante.
Méritos a quem sonha. Méritos a quem acredita.
Méritos a quem luta. Méritos a quem segue em frente
Original
eliblog@ig.com.br
enviada por Elisandro Borges
21/04/2004 04:20
O sono
O sono sozinho, carrega em nós a necessidade do descanso. O sono em si, me faz lembrar as tantas manhãs de domingo que acordei com o sol escaldante de 12:30 pm. Me diziam que eu levantava à noite dormindo e ficava lutando em frente ao espelho. Sonâmbulo me falam que ando - sonho andando de olhos fechados. Me falaram que ronco e converso enrolado com o escuro do quarto, e certamente só ele pra entender essa bagunça. É muito gostoso dormir. É muito bom acordar numa outra data. Viramos o ano, viramos uma era dormindo e quando acordamos já era século XXI. Que bom. Já são meio dia e trinta, e o domingo parece diferente de todos os dias da semana. O sol lá fora, parece querer nos avisar que mais uma vez, outra fase se passou e somamos mais um dia de calor. Calor humano! ele quis dizer.
O sono continua no seu discurso silencioso, em seu ritmo embriagado que nos contagia o cansaço em suas diversas interpretações. Ele é o nosso hóspede, embora nem sempre convidado, sempre marca presença. Uns com intensidade e hora certa, outros com o descompasso de uma noite mal dormida. Me atrasaram o sono, ou será que foi eu quem o atrasei? Mais um bocejo. É aquele hóspede penetra querendo apagar a luz do quarto.
O sono. É sempre ele. O sono. É sempre ele tentando nos parar um pouco. Corre!!! Talvez esse verbo faça parte da etmologia da palavra concorrência. Correr
porque a concorrência não espera e às vezes supera a nossa capacidade de entender o óbvio. Dizem que enquanto estamos dormindo, tem gente produzindo. Me vieram contar uma vez, que durmo demais e o tempo passa na minha porta com cara de reprovação. Eu vou te falar uma coisa, viu! Vou ter uma conversa séria com esse tempo. Vou falar pra ele dar um tempo, porque é de tempo que eu preciso. Será que ando tão devagar assim, a ponto de perder o tempo? Já está tarde. São 2:45 da manhã e estou com sono. É o tempo. Não, é só o sono.
O sono
eliblog@ig.com.br
enviada por Elisandro Borges
20/04/2004 21:59
O sexo nunca foi virgem
Apaguem a virgindade de todas as mentes puras. Ela é uma opressão. Ser virgem é repreender a necessidade de um corpo pedinte. O corpo sente, a virgindade segura. O tabu é apenas uma regra estúpida e a unanimidade continua burra. O casamento é perfeito, mas nós não somos. Nossas regras são desconexas. A loucura é mais sã do que podiamos imaginar. Loucos são os normais (que pena que acabou). Sexo à cada palavra. A libidinagem mora escondida em cada carne mortal. Sexo na juventude, sexo na meia-idade, sexo na velhice, sexo para quem fica. Água na boca, batimento cardíaco acelerado. Sexo! A vida nasce do sexo, não necessariamente do amor. Olha esse gosto, consegue sentir? Degusta logo e mata quem está te matando. Sente esse alívio que só ele pode te dar. Não sofre assim. Será que vamos fazer sexo no céu? O seguro morreu de velho, por enquanto vou fazendo por aqui mesmo. Já imaginou ir para o céu e ficar eternamente na seca? Que tortura! Gente, minha gente! Vamos comer carne, nem que seja peixe em dia de sexta-feira santa. Esqueçam o pudor, ele só põe dor. Mulheres, parem de ter medo do prazer, parem de ter medo do coração, parem urgente de ficar segurando essa pixirica! Uh huuuuu!!! Tudo vai passar, corram!
13.03.04
O sexo nunca foi virgem
eliblog@ig.com.br
enviada por Elisandro Borges
20/04/2004 21:48
Um apelo ao amor verdadeiro
O amor verdadeiro é paciente e pode ter certeza, é fiel... fiel no coração e na carne. Ele é fiel nas horas de provações e tentações, é fiel nas horas em que os inimigos tentam nos derrubar ou desvirtuar o nosso caminho. Às vezes até mesmo as pessoas mais próximas de nós e mais queridas, podem deixar comentários inoportunos e de teor pejorativo escapar, com palavras incoerentes que podem transparecer a atitude daqueles que as dizem, ainda assim, precisamos relevar e perdoar, pois nem todos conseguem se expressar com as devidas palavras e seus supostos significados. Muitas vezes já me falaram: " Esse tipo de relacionamento dificilmente dá certo"... "fidelidade só existe na sua imaginação". Outros tentam argumentar suas teimosas teorias com exemplos frustrados de pessoas que não deram certo. Esses exemplos não nos servem. Nós é quem criamos o nosso próprio exemplo. Ninguém pode nos dizer ou viver a nossa vida afetiva. Somos nós mesmos quem a vivemos.
Fidelidade - ela é uma das formas de construir a dignidade que nos faz merecer a confiança que é depositada em nós . Ela é um império. Ocasiões mil são necessárias para solidificar esse império e jamais podemos esquecer das bases que o protegem. Queremos também descobrir os anjos. Eles estão por toda a parte e muitos em suas roupagens de pessoas comuns. Pessoas essas, que estão à procura do par verdadeiro, da pessoa que se dedica ao amor, que acredita em você, que transpõe dificuldades, que te leva pra frente, que te traz paz, alegria, felicidade, que honra o seu nome e seu mais puro sentimento. A parte desacreditada do mundo lá fora, não nos serve de orientação e jamais deve ser o instrumento que poda nossas esperanças.
Esperanças eu tenho, esperanças me levam a acreditar sempre, independente das decepções que eventualmente o passado tenha nos trazido. Esperanças para um recomeço, esperanças de um mundo melhor, de pessoas íntegras na palavra e na atitude. Esse é o novo significado, muito embora , estarmos um pouco longe do mundo ideal, devemos continuar mesmo que com passos ínfimos, mas contínuos, na escala da evolução. E é pra lá que devemos ir, longe da degradação moral, longe da corrida dos ratos em seus passos apressados na roda que gira em torno de si mesma e nunca sai do lugar. Assim sendo, ajamos, e que Deus abençoe nossos passos, que Ele nos guie para chão firme, que nossos pés sigam adiante, somando forças e inspirando gerações...
Um apelo ao amor verdadeiro
eliblog@ig.com.br
enviada por Elisandro Borges
Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado :: (O que é isso?)
|